Editoral que conta a história de founders de startups. Pode ser carrossel ou reels
Sean Riley, recém-formado e morador de um apartamento em Chicago com três amigos, descobriu uma oportunidade de negócio ao substituir papel higiênico por lenços umedecidos de bebê no banheiro da casa. A reação positiva dos amigos gerou a ideia: criar lenços umedecidos masculinos. Em 2011, os quatro reuniram suas economias — 30 mil dólares — e fundaram a Dude Wipes. O produto era essencialmente o mesmo já existente, mas com embalagem masculina, sem fragrância de lavanda e com um nome que qualquer homem compraria sem constrangimento. O estoque inicial ficou guardado em um dos quartos do apartamento. Hoje, a empresa vale 300 milhões de dólares.
Só que nenhum dos quatro entendia nada de varejo, nada de e-commerce, nada de marketing digital. Então eles continuaram no emprego de manhã e tocavam o negócio nas horas vagas. Eles iam em evento, iam em faculdade, iam em festa e começavam a distribuir o produto de mão em mão e pedir para as pessoas testarem.
E é aqui que a história vai ficando interessante, porque eles não tinham dinheiro literalmente para fazer propaganda tradicional. Então o que eles faziam? Apareciam de graça na mídia fazendo coisas inusitadas. Então um exemplo: em uma transmissão de um jogo de beisebol ao vivo nos Estados Unidos com milhões de pessoas assistindo, eles foram até o local da transmissão, imprimiram cartazes com a marca e ficaram atrás da repórter segurando a placa, fazendo palhaçada lá atrás.
O país inteiro viu, a consequência disso foi que eles tiveram milhares de visitas simultâneas no site, inclusive fez o site sair do ar. E eles não pagaram nem um centavo por isso. E esse tipo de ação de marketing virou marca registrada deles. Eles criavam conteúdos irreverentes, engraçados, que viravam sempre notícia. Enquanto as marcas tradicionais gastam milhões em comerciais de TV, eles apareciam de graça porque sabiam utilizar o humor.
E aí em 2015 eles foram para o Shark Tank para apresentar o negócio para os sharks. Na época eles estavam faturando uns 300 mil dólares, eles pediram 300 mil de investimento em troca de 10% da empresa. O Mark Cuban, que é um dos mais famosos investidores do programa, foi o primeiro a recusar. Ele disse que não se via promovendo aquele produto e achava que a empresa precisaria de muito capital para crescer, para escalar.
Outros investidores também recusaram, mas aí dois deles fizeram uma proposta e no meio da negociação o Mark Cuban voltou atrás, entrou no meio do negócio, disse que tinha repensado, ofereceu 300 mil dólares por 25% da empresa. Eles aceitaram na hora.
No primeiro ano depois do programa, as vendas foram de 300 mil dólares por ano para 3 milhões de dólares por ano. Em 2019, 15 milhões. Em 2020, com a pandemia e a falta de papel higiênico, foram para 40 milhões de dólares. Em 2024 fizeram 200 milhões de dólares em vendas. Hoje a empresa vale mais de 300 milhões de dólares. Os 300 mil que o Mark Cuban investiu em 2015 hoje valem mais de 75 milhões.
A lição aqui não é sobre lenço umedecido. É que eles não inventaram nada. O produto já existia. O que eles fizeram foi pegar algo genérico, criar uma nova versão para um nicho de público específico e criar uma marca com personalidade. E como não tinham dinheiro para competir com as marcas grandes, não tiveram vergonha de criar situações para gerar mídia de graça e fizeram muito barulho, viralizaram e viraram notícia.
Na maioria das vezes a oportunidade não é inventar algo novo, é pegar algo que já existe e falar com o público que ninguém está falando. Meu nome é Matheus Beron, sou empresário e investidor, e se você gosta de conteúdo de empreendedorismo raiz, é só me seguir aqui."
Vídeo 2: A história da FIGS (Transcrição Verbatim )
URL: https://www.instagram.com/p/DU6d9LPkYC3/
"Ela costurou um uniforme melhor pra amiga enfermeira e transformou isso num negócio avaliado em 4 bilhões de dólares. O produto? Uniforme médico. A sacada? Pegar um mercado parado há décadas e fazer o que ninguém fazia: um uniforme bonito e confortável.
Em 2012, Heather Hasson tomava café com uma amiga enfermeira. Olhou pro uniforme dela. Feio, grosseiro, desbotado. Parecia pijama velho. Perguntou: 'Você ganha bem. Por que usa isso?'. A resposta: não tinha opção. Todo profissional de saúde nos EUA compra o próprio uniforme. E só existiam versões feias vendidas em lojas de suprimentos médicos.
A Heather tinha experiência com moda. Costurou uma versão ajustada pra amiga. Quando ela apareceu no hospital, as colegas ficaram loucas. Começaram a ligar pedindo pra comprar. Aí conheceu a Trina Spear. A Trina acreditou tanto que sacou 140 mil dólares do plano de aposentadoria, pagou quase metade em impostos, largou o emprego e se mudou pra LA.
As duas dividiram um apartamento que era moradia e depósito ao mesmo tempo. Chão coberto de caixas. Sem dinheiro pra marketing, iam até os hospitais nos horários de troca de turno. Ofereciam café de graça. Vendiam uniformes do porta-malas do carro. Passavam cartão na calçada, em frente à emergência.
O golpe de mestre: hospital funciona como campus de faculdade. Uma enfermeira comprava, todo mundo notava. O setor inteiro migrava. Precisavam convencer uma pessoa. O resto acontecia sozinho. Em 2013, fundaram a FIGS. Primeira marca a vender uniforme médico direto ao consumidor pela internet.
Em 2018, mais de 100 milhões em faturamento. Em 2020, 263 milhões. Em 2021, abriram capital na Bolsa de Nova York. Valuation: 4,4 bilhões de dólares. Ela não inventou nada. Uniforme médico existia há décadas. Mas ninguém olhava pra esse mercado.
Às vezes a oportunidade não é inventar algo novo. É melhorar o que já existe num mercado que ninguém está dando atenção. Siga @matheusbeirao para mais histórias como essa



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